18 de mai de 2017

A existência de Deus

Antoine de Saint-Exupéry, notável escritor que se notabilizou pela sua grande paixão à aviação, sendo destacado para fazer a linha comercial do Correio Aéreo francês. Para Exupéry, tudo que se relacionava ao conceito de religião e divindade era de importância secundária.
Em um de seus voos, em companhia de seu mecânico de bordo, no deserto do Saara, o avião sofreu uma pane e caiu. A primeira noite foi aterrorizante, pois a temperatura no deserto, à noite é baixíssima,ao contrário, durante o dia, o calor é escaldante.
Quando amanheceu, Exupéry já estava conformado à espera da morte, porque não havia possibilidade de vida onde estavam.
De repente, ele viu passar correndo, nas dunas, um pequeno rato do deserto, logo pensou se há um animalzinho aqui, deve haver água e consequentemente vida.

Andou por muito tempo atrás do bichinho, e o encontrou em uma duna fixa, de um lado havia muita umidade e muitos gravetos, lugar e clima propicio para uma colônia de caracóis, junto à uma  comunidade de ratinhos. Exupéry permaneceu ali, o dia todo, e percebeu que os ratinhos se alimentavam dos caracóis velhos, deixando os jovens vivos, com isso, a alimentação não acabaria e assim a vida teria continuidade, no deserto do Saara.
O jovem gritou de alegria – Deus existe! Ao sair correndo avistou seu mecânico acenando com sua camisa, e disse a Exupéry que teve o instinto de girar a hélice e ao fazê-lo, o avião funcionou, disse o mecânico: - Parece um milagre. Chegaram a Dacar, são e salvos.
Deus existe! Basta olharmos para alguns animais ou bichinhos, seus instintos eles vão nos responder sim, Deus existe.
Qual foi o engenheiro que ensinou ao João de barro a construir sua casa de maneira que as intempéries não matem os seus filhotes?
Qual foi o farmacêutico que passou ensinamentos ao cão sobre as ervas para a cura de suas indisposições?
Qual arquiteto estabeleceu as linhas mestras aos pássaros para entrelaçarem seus ninhos com segurança?
Quem ministrou aulas de paciência à pantera para ter êxito em suas caças?
Qual maestro deu aulas de técnica vocal às aves?
Quem informou às tartarugas que nascem nas areias escaldantes, a procurarem se salvar nas águas do mar?
Qual aviador deu lições ao condor, à águia a planar, envergar as asas e fazer voos rasantes?
Deus que tudo faz. Deus que tudo provê!
Fotos: Google

10 de mai de 2017

Ode às mães

Há tanta coisa bonita a ser dita, porém tudo se torna redundante, porque todos os poetas já proclamaram em verso e prosa o nome "Mãe".Palavras bonitas,versos rimados,mas será que em algum poema veremos registrado o dia em que a mamãe ficou sem almoçar porque o bebê chorou muito, a dor era grande e, ela chorou também, ou será que em algum lugar encontraremos a mamãe escondendo as lágrimas, para manter-se firme diante de uma posição tomada?
E, quando nos perguntarem:
Quem é aquela mulher ajoelhada aos pés da cruz de Jesus?
É uma Mãe que pede pelo seu filhinho que nasceu com paralisia cerebral.
Quem é aquela mulher com as mãos sujas de barro aos pés do morro?
É uma Mãe que procura pelo seu filho, sob os escombros do deslizamento , após as chuvas .
Quem é aquela mulher correndo pela rua, em meio à multidão?
É uma Mãe que saiu do trabalho, e se atrasou para pegar seu filho, na creche do bairro.
Quem é aquela mulher, sentada à beira da estrada?
É uma Mãe cansada do trabalho da roça, e que ainda vai trabalhar em casa.
Quem é aquela mulher  chorando,  à porta do hospital?
É uma Mãe que precisa que seu filho seja atendido pelo médico, mas não há vaga no hospital.
Quem é aquela mulher  desesperada  contando moedas?
É uma Mãe que conta seu dinheiro, para saber quantos pãezinhos poderá comprar para seus filhos, com o que ganhou  com seu trabalho, na feira.
Quem é aquela mulher  atrapalhando a fila, no mercado?
 É uma Mãe que está devolvendo mercadorias, porque seu dinheiro é pouco para pagar.
Quem é aquela mulher, à porta do colégio, olhando o relógio?
É uma Mãe que espera que seu filho se adapte ao primeiro dia de aula, para poder  deixá-lo e ir trabalhar.
Quem é aquela mulher, de salto alto, às pressas pela calçada?
É uma Mãe, advogada que vai enfrentar mais uma difícil jornada de seu trabalho, com a justiça.
Quem é aquela mulher  carregada de livros que caminha apressada?
É uma Mãe professora, que está indo cumprir mais uma jornada de trabalho, em outra Unidade Escolar. 

Quem é aquela  mulher  com vassoura, na rua?
É uma Mãe gari ,que faz seu trabalho na limpeza da cidade.
Quem é aquela mulher que está aguardando em frente à loja ?
É uma mãe que trabalha como balconista para auxiliar na renda de casa.
Quem é aquela mulher de boné com baldes e pás?
É uma Mãe servente de pedreiro, e também é  chefe de família.
Quem  é aquela mulher maravilhosa, de braços abertos  querendo abraçar a todos nós, como se fôssemos seus filhos?
Aquela é Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Mestre Divino, e Ele quando na cruz disse a todos nós:
- Eis aí, sua Mãe!
Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.
 Maria Santíssima, nossa Mãe espiritual.

Fotos: Google

Que o Mestre Divino abençoe a todas as mães!


7 de mai de 2017

Como deve ser

Certo dia, resolvi mudar de rota, voltei para casa por outro caminho, lembro-me que era um final de tarde lindo, daqueles em que o céu está rosa e os pássaros, com movimentos perfeitos de ballet, dançavam sobre minha cabeça.
Naquele momento ouvia uma música desses ritmos que nos deixam alegres, para cima, pois tudo se encaixava perfeitamente, sentia-me parte da natureza, como deve ser.
Foi quando observei ao lado, sentada sobre os trilhos do trem (que hoje não mais apita), uma mulher com as pernas contra o corpo, olhando para cima, sorria. 

Ela estava tão encantada que parei por alguns minutos.
Busquei com os meus olhos o que os olhos dela fitavam e a faziam sorrir, afinal sorrir faz bem e, eu também queria buscar um pouco daquela sensação.
Avistei, no céu, um casal de pássaros, pequenos, acredito serem sabiás.
Eles iam e vinham, suas asinhas desenhavam algo invisível no céu
e, naquele momento, meus lábios sorriram, mas foi algo tão espontâneo, tão puro, que a minha vontade era convidar a todos que passavam ali para, assim como ela e eu, parassem por alguns minutos e observassem como a natureza é perfeita em seu conjunto: animais, floresta e nós.
A harmonia, a boa convivência... Tudo poderia ser sempre assim
Tirei os fones do ouvido, precisava ouvir o canto daqueles seres tão pequenos e, ao mesmo tempo, tão grandes
Pensei comigo: corajosos, esses pequenos! Desde quando nascem têm que enfrentar este mundo todo, imenso, infindo...
Nós ainda temos auxilio, muitos de nós, até longa data... já, algumas espécies, nascem sozinhos e correm para o mar... tão pequenos e frágeis. Alguns não conseguem chegar ao seu destino final, outros chegam e têm que enfrentar outros desafios no fundo do mar...
E, me senti frágil diante de tais pensamentos.
Naquele momento, confesso, entendi o quão frágeis podemos ser... Muitos animais vivem só por anos e se defendem muito bem, e sobrevivem e vivem, porém nós sozinhos, não somos uma ilha, necessitamos uns dos outros para vivermos, pois sozinhos, não sei ao certo até onde aguentaríamos.
Se sobreviveríamos, o sol já dera espaço à lua.
Coloquei o fone, e continuei meu caminho para casa, pensando que tudo estava exatamente no seu devido lugar e, era como deveria ser.
Fotos: Google




2 de mai de 2017

O que terá acontecido a Belchior ? ( Postado em 07/01/2014 )

Ele nasceu em Sobral, no Ceará. Seu nome: Antônio Carlos Belchior Fontenelle Fernandes, ou apenas Belchior.
Aos 67 anos, após inúmeros sucessos musicais, Belchior mantém um enigma à sua volta.
Tudo começou em 2005, quando o artista conheceu Edna Assunção de Araújo, produtora cultural e militante de organizações de extrema-esquerda.
Eles se apaixonaram, iniciaram um namoro e Belchior terminou seu casamento de 35 anos com Ângela, mãe dos dois dos quatro filhos que o cantor tem.
Afastou-se dos amigos, deixou de fazer shows e, em 2009, desapareceu sem deixar rastros.
Nem os amigos mais próximos esperavam tal atitude. Ele abriu mão de todo seu patrimônio ( quadros, roupas, documentos, carros, apartamentos ), além da agenda de shows. O sumiço transformou Belchior em uma figura “cult”. A pergunta “Onde está Belchior?” ecoou na internet e teve repercussão internacional. Campanhas pedindo a volta do músico. Suas músicas que antes tinham cerca de cinco mil acessos, hoje ultrapassam 500 mil.
Mas o sucesso virtual não trouxe nenhum benefício material ao cantor. Ele vive escondido em Porto Alegre com Edna, escondendo-se da polícia. Contra ele há dois mandatos de prisão pelo não pagamento de pensões alimentícias.
Além disso, Belchior abandonou todos os seus compromissos e não paga mais aos seus credores. O ex-secretário particular de Belchior, Célio Silva, ganhou um processo trabalhista contra ele no valor de R$ 1 milhão. Não há mais como recorrer. As contas de Belchior estão bloqueadas e os imóveis que tinha foram comprometidos. Sem dinheiro, ele já se abrigou numa instituição de caridade no Rio Grande do Sul e morou de favor na casa de fãs que nem conhecia.
O que intriga a todos, é que o cantor, aparentemente, não agiu movido por depressão, dívidas ou golpes publicitários, como todos acreditavam. Alguns amigos tentam justificar o comportamento do artista: “Edna não conseguiria sozinha virar a cabeça de alguém inteligente como Belchior. São dois sonhadores, juntaram suas utopias. Deixaram de acreditar neste mundo materialista, objetivo e mesquinho e partiram para um caminho de desapego”. Belchior é um artista com vasta cultura, domina cinco idiomas, conhece filosofia e gosta de física quântica. Até os anos 2000, lançava em média um disco por ano. “Ele era uma máquina, chegava a fazer três shows por noite. Era uma pessoa completamente dedicada à carreira”, diz o parceiro e ex-sócio Jorge Mello.
Depois que conheceu Edna, Belchior percorreu uma trajetória descendente em que, aos poucos, se despojou de todos os bens e obrigações. No final de 2006, ainda com a carreira aquecida, pediu que o empresário Jackson Martins parasse de agendar novos shows. Pretendia passar um tempo se dedicando à pintura e à tradução do poema Divina comédia, de Dante Alighieri, para uma linguagem popular. No início do ano seguinte, deixou o apartamento em que vivia com Ângela, mas continuou morando em São Paulo com Edna, num flat alugado. Desde então, a família diz não ter mais notícias dele.
Belchior continuou em São Paulo até 2009, quando deixou o flat sem quitar os últimos meses de aluguel.  Na garagem, ele largou um segundo carro e, em seu apartamento ficaram roupas, rascunhos de música, cartões de crédito e o passaporte. Belchior também abandonou tudo na casa alugada onde funcionava seu escritório: coleção de quadros, discos, documentos e o computador onde estava parte da tradução da Divina comédia, projeto que lhe consumira três anos. 


Belchior e Edna perambularam durante todo esse período de hotel em hotel – várias vezes, sem pagar a conta. Amigos culpam Edna pela iniciativa. O primeiro hotel em que isso aconteceu foi o Gran Marquise, em Fortaleza. Os dois ficaram hospedados ali ainda em 2006. Saíram sem pagar dois meses de estadia, no valor de R$ 8 mil. Depois, repetiram a prática em pelo menos quatro locais. No Icaraí Praia Hotel, em Niterói, deixaram uma conta de R$ 4 mil. “Alguns funcionários tiveram de arcar com parte da dívida, já que permitiram que ele ficasse hospedado mais de uma semana sem pagar a conta”, diz o atual gerente, Germano Lopes. No Royal Jardins Boutique, em São Paulo, a conta pendurada foi de R$ 12 mil. “Eles deixaram um cheque caução, mas não tinha fundos”, diz Elly Shimasaki, gerente na ocasião.
O caso mais recente foi no hotel Cassino, na cidade de Artigas, no Uruguai, onde o casal se hospedou entre julho de 2011 e novembro de 2012. Os últimos meses ficaram sem pagamento, restando uma dívida de R$ 35 mil. Lá, Belchior deixou para trás roupas e um laptop.
Em Porto Alegre, Belchior e Edna ficaram inicialmente hospedados num hotel simples no centro, pago com ajuda dos funcionários do Tribunal de Justiça, primeira porta em que o casal bateu quando chegou à capital gaúcha. Depois, foram abrigados no Centro Infanto juvenil Luiz Itamar, instituição de caridade na região metropolitana. Dali, foram levados ao advogado Aramis Nacif, ex-desembargador do Estado, que poderia ajudar Belchior com os processos. “Ele dizia que um agente apareceria, mas nunca apareceu”, diz Nacif. Durante um mês, o casal ficou abrigado na casa de praia do filho dele. “Eles não tinham dinheiro algum. Edna apresentava um sentimento de perseguição muito grande, parecia ter algum distúrbio psicológico”, diz. Foi nesse momento que Belchior conheceu o advogado Jorge Cabral, na casa de quem se hospedou por quatro meses.
Em julho deste ano, Cabral pediu que o casal saísse, dado que Belchior e Edna não davam sinal de acabar com aquela situação de total dependência.
Belchior foi visto pela última vez na entrada do prédio, um edifício moderno num bairro de classe média de Porto Alegre, em frente a uma avenida bastante movimentada. Carregava uma pequena mala nas mãos e material de pintura debaixo do braço. Estava, como sempre, ao lado de Edna.
Informações fornecidas pelo site da revista Época – Marcelo Bortoloti.
Resolvi publicar esta informação pois estou inconformada. Temos perdidos tantos artistas maravilhosos ao longo dos anos, não sei se Belchior tem o direito de nos privar de seu brilhantismo desta forma... mas, talvez, ele tenha encontrado o que tanto buscava ao lado de Edna...
Por enquanto o que me resta é o alento de suas letras já gravadas e regravadas. E, ao ouvi-las, penso que, talvez, ele já estivesse dando seu recado há muito tempo, e hoje colocou-o em prática.

“... e no escritório em que eu trabalho, e fico rico, e quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor”...


 
Fotos: Google






21 de abr de 2017

Somos sempre bons ?

Ontem assisti a um filme, não é muito novo, porém seu tema é bem atual, chama-se: Um dia de fúria, protagonizado por Michael Douglas.
E o mais interessante é que o tema vem justo no momento em que as famílias estão reunidas falando sobre paz, amor, calma, serenidade, bondade.
Lembro-me que um dia, conversando com uma amiga, falávamos sobre nossos instintos, que com certeza, desconhecíamos do que somos capazes.
Ela, exaltou-se e disse: eu jamais mataria, ou feriria alguém! Aquela velha frase: não mato nem um mosquito. Pois bem, joguei mais lenha na fogueira e indaguei: e se um dia você chegasse em casa e percebesse que causaram algum mal ao seu filho ou sua mãe?
Ela pulou da cadeira de pronto e disse: Aí a história muda!
Eu sorri. Somos seres racionais, mas na hora do aperto, quando a vida testa nossa paciência ao limite, é que descobrimos quem somos de verdade, e mais ainda quando a nossa base de fé em Cristo não é concreta.
Voltando ao filme, em muitos pontos me identifiquei com aquele personagem, não apenas identifiquei a mim, mas a muitos que conheço. Chega um momento em que simplesmente o copo, quase cheio, recebe aquela última gota para transbordar e, aí que vem a força interior para nos segurar ou extravasarmos, o que vai depender de nossa compreensão espiritual.   
Seja no emprego, na escola, no trabalho, em casa... Momento, em que você corre para o médico atual: Google e digita desesperadamente, palavras desconexas atrás de uma “cura” ou “ajuda”. Começa a meditar, respira 30 vezes, toma água, deita de barriga pra baixo, ergue as pernas, quando percebe seu corpo está contorcido sobre o tapete e seus pensamentos ainda estão naquilo ou naquele que  provocou em você, toda a turbulência interior.
E a paz que  você demorou para alcançar, esvaiu-se, e você não consegue recuperá-la tão cedo.
Psicólogos, analistas, remédios, você utiliza de todas as ferramentas que estão fácies, táteis. No momento da raiva, não tem como pensar em algo mais intrínseco, mais religioso. Você quer a solução já e, não esperar o tempo certo. Muitas vezes, quando chegamos ao fundo do poço, ou por esgotamento ou por raiva, não enxergamos o que está em nossa frente e nos aprofundamos em campos que nos fazem sofrer, mas que ao mesmo tempo,  ajuda a nos conhecermos verdadeiramente ou quem sabe conhecer ao outro.
Olhe-se no espelho, olhe bem dentro dos seus olhos e diga: Olá, eu sou o(a) fulano(a), prazer em conhecê-lo(a)!
É incrível, como temos dificuldades em nos olharmos, em nos permitir conhecermos.E isto, só vai acontecer quando algo “romper-se” aí sim, procuraremos nos reencontrar, nos redirecionar e saberemos  que a oração e o perdão são medicamentos infalíveis em todas as ocasiões de nossa vida, por isso,ela deve ser primordial e, a vigilância constante, pois todos somos bons, até o momento em que somos testados. 
Fotos: Google

11 de abr de 2017

Naquela Páscoa


Já era sábado de aleluia, a casa estava em festa, as crianças corriam, a alegria era notável, os parentes chegavam, os primos queridos vinham de longe para passar a festa da Páscoa em família. As crianças aguardavam ansiosas o passar dos meses para a chegada  de mais uma data festiva, ocasião em que podiam se reencontrar para matar as saudades.Os preparativos já estavam acontecendo há muitos dias. A avó materna era encarregada da confecção das bolachas, todas pintadas com açúcares coloridos, uma das tias era encarregada de fazer outros doces, e que eram de muitas qualidades. A carne para o assado já havia sido preparada no sábado anterior, os homens da família se reuniram e carnearam um leitãozinho, uma ovelha e ainda algumas galinhas que seriam recheadas para assar. Havia o costume de guardar a banha em uma grande lata junto com pedaços de carne frita, a qual durava muito tempo sem refrigeração.
As crianças só se preocupavam com a vinda do coelhinho, todos tinham que ajudar a fazer a sua cestinha, e quando ficavam prontas podiam brincar com elas o tempo que quisessem, porém se estragassem não mais as teriam, aí vinha o senso de responsabilidade, cuidado e parceria, pois cada um ajudava a cuidar da cesta do outro. Interessante que mesmo vazias, eram preciosas para todos.
À tardinha de sábado de aleluia, todos se reuniam para agradecer a Deus pela fartura de mais um ano. Sempre havia a explicação de um membro da família, o mais experiente que falava sobre o significado da Páscoa.
À noite, o cansaço tomava conta de todos. Os mais velhos com seus deveres cumpridos iam se deitar, recomendando aos pequenos que no dia seguinte, domingo de Páscoa, todos iriam à Igreja , só então é que procurariam as cestinhas . E assim aconteceu.
Anastácia, a empregada que há anos estava junto à família, ficou mais um pouco na sala, tempo suficiente para relembrar uma Páscoa que ficou em sua memória, em seu coração, um passado que lhe trouxe as lágrimas tristes. Ela era muito pequena, mas já sabia das coisas e esperava sua cesta com muitos ovos e coelhos de chocolates, seu irmãozinho, muito pequeno, nada sabia e por isso, apenas ela esperava pelo coelhinho. Sabia, ela que desta vez ele não falharia, porque ela não dera nenhum motivo,fizera tudo certinho, ajudara a mãe, cuidara do irmãozinho, ajudara a pendurar e recolher a roupa do varal, recolhera lenha,arrumara a mesa,  nem brincar com os amiguinhos, tinha ido para não aborrecer a mãe, sendo assim o coelhinho não teria desculpas, como em outras vezes de não lhe trazer nada .
Sua memória parou naquele longínquo ano, naquele sábado de aleluia,quando sua mãe chegou, sentou-a em uma cadeira de palha esfarrapada e falou:
-Nastácia, você foi uma menina má, não me obedeceu, não ajudou, foi brincar na rua, deixou seu irmãozinho chorando sozinho, por isso, o coelhinho não vai lhe trazer nada neste ano, e saiu às pressas, hoje sei que estava chorando.
Hoje ela sabia o quanto sua mãe sofreu para lhe dizer tudo aquilo.
As lágrimas corriam, e continuam a correr, pois hoje ela sabia que seu pai naquele dia ainda estava sem pagamento e o coelhinho não era apenas uma simples fantasia de criança.

Feliz Páscoa a todos vocês, meus queridos amigos!




30 de mar de 2017

Todos merecem perdão (?)

Inicio com umas das frases mais batidas: quem sou eu para julgar alguém?
Pois bem, esta semana assisti ao filme Longford.
Conta a história de MyraHindley, condenada à prisão perpétua pela morte de várias crianças com requinte de crueldade ( filme baseado em fatos reais ).
Fiquei aqui pensando se todas as pessoas merecem perdão, seja ele vindo de Deus, seja ele vindo do homem, consideremos que o homem é quem julga e dá a sentença aqui na terra.
Temos muitos exemplos no mundo, não apenas de Myra. Aqui no Brasil, Francisco de Assis ( o maníaco do parque ), estuprou e matou muitas mulheres.
Ele é um recordista de cartas de amor recebidas no presídio, incluindo muitas propostas de casamento.
Suzane Von Richthofen mandou matar os pais. Guilherme de Pádua matou a atriz Daniella Perez. Alexandre Nardoni jogou sua filha, Isabella, da janela do seu apartamento.
Cito casos de pessoas famosas para que todos possam “visualizar” os crimes cometidos.
Esta semana, li que o goleiro Bruno, acusado de mandar matar sua ex-namorada, Eliza Samudio, assinou contrato com um time da segunda divisão de MG.
E essas vidas que foram ceifadas?
Eu não consigo notar em momento algum remorso nestas pessoas. Ao assistir entrevistas, ou ler notícias a respeito, nunca observei uma lágrima de remorso pela “besteira” cometida. Nunca ouvi um pedido de perdão sincero.
Seja a explicação que eles queiram dar, geralmente, apelam para “vozes do mal que os obrigou, e eles não conseguiam parar”. 

Penso no sofrimento que essas pessoas passaram nas mãos ou a mando desses criminosos, e por motivos tão fúteis, tão banais, que haveria outras formas de serem resolvidos.
Decidiram ir para o caminho mais prático, mais covarde, e ceifaram vidas, como se eles fossem perfeitos, anjos puros enviados por Deus ou por uma força maior divina, para dar um ponto final em suas trajetórias.
Talvez, se eu fosse psiquiatra forense, eu conseguiria entendê-los.
A cada dia, a violência cresce no mundo, crimes absurdos, barbáries que antes só eram presenciadas nos cinemas, eclodem a todo instante em cada esquina, seja de grandes ou pequenas cidades, não há limites.
Neste filme, Longford, a personagem Frank Packenham, fervoroso católico que visita presidiários, e acredita veemente no arrependimento do criminoso, e que todos merecem uma segunda chance, até ter suas crenças colocadas à prova, quando conhece a Serial Killer, Myra.Como perdoar alguém que, enquanto seus pais, seus mantenedores, estão sendo mortos com requintes de crueldade, está sentada na sala do andar de baixo, esperando tranquilamente o “serviço” acabar, e fazer uma festa na piscina no dia seguinte?
Ou que corta a tela de proteção do quarto, pega sua filha de cinco anos, e a joga seis andares abaixo?
Ou que dá voz de assalto para um jovem trabalhador, que entrega seu celular no valor de cem reais, e, mesmo assim, leva um tiro a sangue frio?
Eu ficaria aqui citando exemplos, e preencheríamos várias laudas com eles.
Independe do motivo, eu acredito que sempre há soluções mais plausíveis do que a morte. E quem apela para essa prática, deve pagar; sim,há a justiça na terra e acima dela a justiça divina.
Caso contrário, ficaria muito fácil: mata-se e segue sua vida sendo perdoado, como se nada tivesse acontecido, como um aval para outros crimes.
Há casos e casos, sim. Citei esses, pois se relacionam com o teor do filme.
Eu acredito que muitos que estão na prisão entraram lá por motivos torpes, e são obrigados a conviver no mesmo espaço que estupradores, serial killers, estripadores... e sabemos também que os presídios, principalmente do Brasil, não regeneram ninguém, pelo contrário: alguns são presos por roubarem comida, por estarem com fome, e saem de lá mestres em outros crimes “mais pesados”.
Todos merecem uma segunda chance?Depende o caso.Todos merecem perdão?
É uma dúvida que tenho dentro de mim. Nunca passei por uma situação em que esse meu lado fosse posto à prova. E admiro quando vejo pessoas que perderam seus filhos, perdoando os assassinos.
Fala-se que o perdão faz bem, e que a mágoa traz problemas sérios à saúde. O perdão deve ser praticado, pois é um ato muito penoso, mas perdoar é preciso.
Mas acredito que o caminho para chegar ao perdão é árduo, e só para alguns esse mérito é concedido. 
Fotos: Google

25 de mar de 2017

Olhe para o lado

Era um sábado de sol, o azul do céu cobria a cidade de Curitiba. Um dia propício para almoçar com amigos e compartilhar histórias e risadas.
O almoço em questão fora um pão francês cortado ao meio, com um suculento pedaço de carne. À mesa, uma tigela com diversas frutas à nossa disposição. Pronto, ali estava o nosso banquete.
O dia transcorria, escolhi uma pequena mesa, no canto. Sentei-me, e me preparava para degustar meu almoço, quando ele se aproximou, pedindo para sentar-se comigo. Com um aceno de cabeça, respondi positivamente, pois naquele exato momento mordia um pedaço do meu pão com carne.
Foi quando ele, chamando seu amigo, pediu que ele levasse algumas frutas e um pão com carne a um jovem rapaz que, do outro lado da rua, buscava algum alimento nas latas de lixo.
O senhor, gentilmente, levou pedaços de melancia até o rapaz. Ao voltar, ele sorriu e disse:
- Ele quase levou minha mão junto!
O homem que estava ali sentado ao meu lado, sorriu e seus olhos encheram-se de lágrimas.
Perguntei se estava tudo bem, ele disse:
- Está sim. Sou muito coração mole. Não posso ver pessoas com fome ou com frio. E saber que talvez, esses pedaços de melancia sejam o único alimento que ele tenha o dia todo, me traz desconforto.
Começava ali uma conversa que duraria 4 horas, com frases de otimismo, revelações do passado e volta às origens. Tanto dele quanto minha. 
Foto: Google


Ele me contou muitas histórias, não para se elevar a nível de santo, nada disso... tenho certeza de que Deus manda pessoas para nós, com as palavras e frases certas, quando estamos fragilizados. E foi o que aconteceu. Aquele senhor me contando seu passado pobre, as perdas que teve e que, mesmo assim, jamais perdera a fé. Que a ajuda deve sempre existir, seja material, seja em palavras, seja em abraços ou apenas em olhares compadecidos.
Quantas vezes apenas passamos pela vida sem deixar marcas positivas? Quantas vezes apenas levantamos e não agradecemos a Deus por mais um dia de vida? Quantas vezes observamos seres vivos nas ruas, com frio, com fome, mendigando por algo, qualquer coisa, e simplesmente passamos reto, com olhar de desdém?
Aquele senhor, com os olhos marejados, sentado ao meu lado, não precisava fazer coisas assim. Ajudar pessoas a quem ele não conhece e que, provável, jamais receberá um “muito obrigado”. Mas ele aprendeu que a vida é um ciclo. E o fazer o bem sem olhar a quem tem o seu retorno positivo, leve o tempo que levar, mas o retorno virá. Quantas vezes eu me doei a outra pessoa, nesses anos de vida? Quantas vezes deixei meus afazeres, ou pequenos prazeres para socorrer um amigo? Quantas vezes separei um pouco da minha comida e dei a outra pessoa? Quantos abraços de carinho, olhares de afeto ou sorrisos eu dei às pessoas?
E Deus coloca pessoas em nossa vida com suas histórias, com seus exemplos para abrir nossos olhos e ouvidos. E a sensação daquela conversa ainda perdura e, com certeza, algo se modificou dentro de mim.

7 de mar de 2017

Pelo Dia Internacional da Mulher

Comemora-se este mês o dia internacional da mulher, e quero falar um pouco sobre isso com vocês: mulheres pelo mundo. Há pouco li uma matéria a respeito de mulheres sírias, que vivem em uma colônia, e foram libertadas do ISIS pelas forças democráticas da Síria e, puderam, por fim, tirar o véu. Penso aqui comigo: quantas
mulheres no mundo não têm motivos para comemorar? As que são mutiladas, as que são caladas, as que são violentadas, as que são escondidas por trás de panos pretos... O dia internacional da mulher deve ser de conscientização, e acredito que o seja, porém, no dia seguinte, tudo se normaliza, e as culturas dos países voltam a agir da forma de sempre. Mas, volto à matéria lida, nessa colônia, elas foram autorizadas a mostrar seus rostos, suas expressões, seus olhos e sorrisos. Qual o significado em ceifar isso dessas mulheres? Muitos respondem com a já famigerada frase: é a cultura deles. Será que podemos denominar cultura quando pessoas são obrigadas a seguir certos passos, contra sua própria vontade? Afinal, TODOS nascemos livres, até alguém nos prender. O fato de tirar o véu vai muito além de poder respirar por fim, o ar da liberdade. Dignifica a mulher, a faz ter um rosto, o qual, há muitos anos, era escondido. É notório que ela mereça ser tratada com respeito e dignidade, não sendo vista apenas como um
sexo reprodutor, pois ela vai muito além disso e, é uma pena que os homens precisem de uma Lei para se dar conta de que elas merecem conquistar seus espaços e não ficar à mercê dos caprichos masculinos. Dia internacional da mulher, daquela que luta em silêncio diariamente, que é escondida em buracos porque seu período menstrual é visto como algo demoníaco, que possui partes de seu corpo mutilado para que não sinta prazer, que são vendidas ainda crianças para homens mais velhos, que são prostituídas por troca de um prato de comida... A mulher merece ser vista com olhos sensíveis, delicados e corretos, e que sejam colocadas no pedestal que elas merecem estar. Mulheres são diferentes dos homens, sim! Como já escreveu John Gray: Homens são de Marte e Mulheres são de Vênus. Como compará-los? Impossível. Mas, cada qual, deve ser respeitado e valorizado. A mulher possui um dia especial, um dia internacional para ser homenageada e respeitada, mesmo que seja à força. Mas, no fundo... Eu preferia que este dia não existisse, mas, que sim, todos os dias ela fosse celebrada envolvida por amor, respeito, dignidade e carinho seja por seus amigos, companheiros, colegas de trabalhos, filhos e chefias.


Fotos: Google

21 de fev de 2017

Amor de pai


 Observei um pai levando seu filho, na bicicleta, ele a empurrava com o garoto sobre ela, para que o pequeno não corresse o risco de cair.
Eu caminhava quase rente aos dois, e para ouvi-los mantive o passo, o sol já estava dando sinal de seus raios, os quais mostravam que iria ser um dia de muito calor.
O pai continuava a conversar com o pequeno, que parecia estar nas séries iniciais, pelo tamanho e pelo simples vocabulário de criança.
O pequeno insistia com o pai que não queria mais ir à escola, disse que não gostava. O pai, calou-se e ficou pensativo, pensei que ele não fosse dizer mais nada, porém quando voltou a falar, foi emocionante a lição de vida que passou ao filho.
-Filho, olhe bem para o seu pai e descreva como me vê, como pareço para você?
-Ah, pai, não sei, mas você me parece um homem velho, de cabelos brancos, roupas surradas, levando sua marmitinha que a mamãe prepara para o senhor, vejo um homem que não sorri , que chega à noite e come rápido para ir dormir, aí acorda muito cedo para me trazer à escola, e só. 

O pai baixou os olhos para esconder as lágrimas que insistiam em cair.
-Pai, você está chorando?
-Ah, filho, há tantos motivos.
-Que motivos, pai?
-Um deles é você não querer estudar, perceba que seu pai mal sabe assinar o nome, porque não tive a oportunidade de estudar,precisei trabalhar quando tinha a sua idade,eu trabalhava fora junto com seu avô, para levar mais dinheiro para casa.
-Pai, você queria estudar?
-Sim, meu filho.
-Sabe, se eu tivesse um pouco de estudo, com certeza eu estaria trabalhando em algo melhor, não estaria empurrando você, nesta bicicleta velha, poderia chegar em casa mais cedo, poderia acompanhar você nos deveres de casa, brincar com você,passear com sua mãe, e aos domingos, teríamos tempo para ficarmos juntos com toda a nossa família, porém como não tenho estudo, preciso aceitar o emprego que me oferecem.
O filho olhou as mãos calejadas do pai, os cabelos em desalinho, e percebeu o quanto o pai sofria por ele não querer aceitar o grande presente, poder ir à escola.
Pensativo o pequeno falou:-
- Pai, vamos mais rápido, porque não quero chegar atrasado para a aula.

O pai sorriu e apressou o passo. 

Fotos: Google

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