7 de fev de 2018

Somos Intolerantes




Ontem em uma roda de conversa boa, o assunto foi sobre sentimentos, alguns ruins, que nos causam mal, e o maior deles, o ódio. E acabamos falando sobre uma palestra, com o tema “Intolerância”, a qual foi proferida por Haroldo Dutra Dias, ele é juiz de direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, escritor, tradutor, e conferencista brasileiro.
 Há muita intolerância hodiernamente, tudo se torna intolerante a nós, e
infelizmente, ainda somos estimulados a ter ódio, o assunto da conversa tomou um rumo muito interessante, pois acabamos lembrando de fatos de famílias que foram destruídas devido ao ódio reinante por muitas gerações.
Nelson Mandela já dizia:
Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto.
A única voz que o orgulho respeita é a humildade, para a violência, a paz e a brandura.
O ódio nunca ouve o ódio, e para acabar com a intolerância é muito mais fácil  exterminá-la nos outros, pois a nossa própria intolerância nos parece invisível. Atualmente, em qualquer lugar ou em qualquer roda de amigos, se você não tiver ódio de algum político, iniciativa política, ou de alguma pessoa bem sucedida, fica mais difícil de entrar nesta roda. Até parece que é chique ter ódio em algum momento de nossa vida.
Será que o ódio nos dará oportunidade de mudarmos para melhor, fazermos nova política, um novo país? Sentimos ódio por gênero, por pessoas de cor, por falta de conhecimentos, por falta de bens materiais, enfim, execramos o nosso próximo por ele ser apenas diferente de nós.
Precisamos estar vigilantes e mensurar o nosso grau de intolerância. Todos temos escolha, temos que respeitar a maneira de como o outro vive. Amar é respeitar o outro, o nosso próximo. Alguém disse:
-Mas se eu não concordar com o outro?
Basta respeitá-lo, não precisamos concordar com as atitudes dele, pois podemos nos posicionar quanto ao certo ou errado, porém sem ódio, seguindo os ensinamentos de Jesus, que nunca agiu com ódio. Vivemos tempos obscuros, o valor de uma vida é pequeno ou inexiste, a política um caos, a integridade física desmerecida, enquanto que a intolerância e o ódio estão sendo disseminados ao nosso redor.
Falta-nos o ato de nos colocar no lugar do outro, pois rir, aplaudir, acusar é mais fácil que parar para refletir que muitas vezes nos igualamos aos que acusam, ou aos que destilam o ódio através de palavras ou ações. O respeito constrói a paz, constrói o novo.
“Se a sociedade está doente, é porque nós estamos”. Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é amor.


“Nenhuma qualidade humana é mais intolerável do que a intolerância.”

27 de jan de 2018

Amor e Guerra

As duas garotinhas com passos apressados, seguiam pela estrada barrenta, cada uma com um pequeno embrulho em papel pardo, parecia que protegiam um tesouro, eram muito pequenas para estarem com tão grande responsabilidade, eram irmãs com pouca diferença de idade, 6 e 7 anos.
Vestiam roupas rotas, calçados surrados, meias remendadas e um gorro, o pescoço enrolado em um pedaço de manta surrada, o gelo estalava sob seus pezinhos gelados, a neve cobria seus ombros, e suas roupas pouco ajudavam para proteger do frio, eram tempos difíceis.
O pai foi levado para o campo de batalha, a mãe fazia o possível para manter os filhos fora de perigo, pois tudo era controlado.
O ruído das bombas, mesmo distantes passavam o terror que todos viviam em tempo de guerra. As pequenas, acostumadas a enfrentar o perigo em busca de comida, andavam apressadas, levantavam muito cedo, ainda com a escuridão da noite e saiam como se fossem garimpar tesouros escondidos, e assim que conseguiam algo, elas voltavam esfuziantes, cheias de esperança de mais um dia de vitória. Entraram correndo, a mãe precisou fazê-las  fecharem a boca.
-Mãe, conseguimos comida.
-O que temos hoje, vamos ver?
Ana, a mais nova abriu o seu embrulho e com um largo sorriso, mostrou seu tesouro.
-Veja, mãe, consegui duas batatas e a Marta um bom pedaço de toucinho, teremos uma ótima refeição, não é mamãe?
A mãe esconde as lágrimas, pois há dias tentam sobreviver com o mínimo.
-Como vocês conseguiram tão boa comida, minhas filhas?
-Ah,mãe, o padre estava distribuindo para algumas pessoas e quando nos viu, entregou estes pacotes e nos pediu para guardá-los bem, até que chegássemos em casa, e aqui estamos. A primeira refeição do dia foi excelente, mesmo sendo pouca foi a melhor.
Cada uma tinha suas tarefas e mesmo sem tempo de escola, tinham deveres já estipulados pela mãe.
O bombardeio continuava com seu barulho infernal, a luz era de um toco de vela, a lenha acabara e o fogão estava gelado, assim como toda a humilde casa. Não havia muito o que fazer para se aquecerem.
-Mãe, quando a guerra vai acabar? Não sei, Ana.
-Por que a guerra existe?
A mãe ficou pensativa, pois nem ela sabia o porquê das guerras, sempre soube que existiam, mas não sabia o real motivo de povos fazerem guerra para matar tanta gente, e gente igual a todos, a pequena insistiu na pergunta, e a mãe teve a resposta.
-Filha, a falta de amor, a falta de respeito com o próximo e a falta de igualdade é que levam os povos a fazer a guerra, a matar as pessoas, porém, com certeza, um dia, espero que esteja próximo, todos nós viveremos em paz, o amor reinará em todos os lugares e não haverá lugar para o ódio e nem para a guerra.


Agora vamos dormir, pois não temos como vencer o frio, e amanhã teremos um dia lindo.

12 de jan de 2018

A Merenda

A garotinha caminhava vagarosamente,
Pois estava com fome
Tinha que chegar à escola
Sua esperança era poder comer
Na sua casa não havia nada
O estômago roncava
Dava para ouvir
O barulho, no silêncio
Da estrada empoeirada
A barriga doía,
A cabeça girava, pois
A fome apertava
Caminhou, apressou o passo
Quase chegando
Ah! sentia o cheiro da sopa
Dona Margarida
Cozinhava muito bem
Melhor que sua mãe
Ufa! Chegando
Foi direto para o refeitório
Nem lembrou que havia aulas
Apenas queria comer
Que triste!
Não tem merenda hoje?
Nada de merenda
O ladrão levou tudo
Mesmo, dona Margarida?
Sim querida,
Por quê?

Você está com fome?

3 de jan de 2018

Papai Noel existe

A pequena menina, estava cansada, mas precisava chegar a tempo para entregar as bolachas que a mãe fazia, ela ajudava como podia, para que a mãe pudesse ganhar mais para conseguir pagar as contas. Ela tinha apenas 8 aninhos, era mirradinha, talvez por deficiência na alimentação, pois sempre viveu com dificuldades junto com seus dois irmãos, mais novos.
O pai estava acamado fazia muito tempo, sofrera um acidente, e como aconteceu fora do trabalho, não teve direito a receber nada, além do devido. A mãe trabalhava limpando as casas, porém após o acidente, precisou ficar em casa para cuidar do pai. Então começou a fazer bolachas para vender, tinha uma boa freguesia, ela era boa com as massas. Ana, a menina, ajudava a entregar as encomendas, o que fazia sempre após as aulas. Às vezes, Aninha mal tinha tempo de comer direito, pois sua mãe, já estava com os pacotes prontos para a entrega, e ela tinha que se agilizar para que tudo fosse entregue antes da noite cair. Era época de Natal, e a freguesia aumentava, o que era bom, mas ela sozinha quase não dava conta de tanto andar. Pensava que se tivesse uma bicicleta poderia fazer tudo com mais rapidez, tinha o sonho de trabalhar sem parar e comprar uma bicicleta para facilitar as entregas, enquanto o sonho não se tornava realidade, tinha que gastar a sola do sapato.
No final da tarde, cansada e com fome, resolveu tomar um pouco de água na igreja, pois conhecia muito bem o padre da paróquia. Entrou e foi direto à sacristia, tomou água, e ainda comeu uns biscoitos que estavam à disposição, não havia ninguém, o silêncio era confortador.
Ana, resolveu sentar em uma poltrona, na sacristia, para descansar um pouquinho, seria por alguns minutos, pois sabia que sua mãe estaria preocupada, caso ela não chegasse no horário de costume. A menina, sem querer pegou no sono, foi um sono profundo e muito bom. Sonhou que seu pai, por milagre da medicina estava curado, e que uma bela e forte bicicleta a aguardava, era reforçada e com bagageiro, própria para carregar pacotes, sua mãe tinha uma ajudante, pois o comércio das bolachas aumentara, em seu sonho até o Papai Noel, apareceu e lhe disse:
-Ana, acorde! Sua mãe a espera, já é tarde, volte para casa!
Ela teve um sobressalto e acordou assustada. Nossa, dormi demais, já está ficando escuro, mamãe deve estar doida atrás de mim. Que horas devem ser?
De repente, ela ouve um barulho, era o padre chegando de uma visita aos doentes, e ficou surpreso com a presença da menina, ali.
-Ana, o que faz aqui, aconteceu alguma coisa com seu pai?
Rapidamente, e muito nervosa ela contou o que houve.
O padre disse que iria acompanhá-la até em casa, pois estava ficando muito escuro.
Durante o trajeto contou ao bom vigário o sonho que teve, enquanto dormia. E ainda riu, dizendo:
-E nem acredito em Papai Noel.
O padre, olhou para a menina e disse:
-Sabe, Ana, às vezes, não acreditamos em muita coisa que está ao nosso redor. E seguiram, cada um com seus pensamentos.
 Ao avistarem a casa, de longe perceberam muita luz, coisa que não acontecia, porque cuidavam muito, pois tinham que economizar, a mãe foi ao encontro deles sorrindo, fato que nunca acontecia, pois ela nem tinha tempo para sorrir.
Surpresa, Ana pergunta.
- O que houve, mãe, você está alegre, e a casa parece em festas?
-Ana, aconteceu um milagre, uma equipe médica de uma clínica doou a seu pai, um tratamento novo, que com certeza, vai devolver a mobilidade das pernas dele, e tem mais um senhor de barbas brancas, entregou uma bicicleta especial para seu tamanho e idade, com dois cestos acoplados para colocar os pacotes de bolachas, disse que foi seu pedido.
E, mais a vizinha cedeu a filha para me ajudar na produção de bolachas, e o pagamento que pediu foi: aprender a fazer bolachas.
Todo o sonho de Ana, havia tornado realidade.
Atônita, Ana não conseguia falar, olhou para o padre e disse:

-Eu não acreditava em Papai Noel! 

19 de dez de 2017

Natal com Jesus

              
Natal com Jesus

Dezembro, lojas repletas
 Coloridos em todas as partes,
Luzes fazendo caminho pela cidade,
Papais Noeis, em todas as portas,
Chamando a freguesia,
 A tristeza acontece,
Pois já não é mais o dezembro que lembro
Será que alguém, além de mim lembra
O que representa este mês?
Crianças com ares de adultos
Fazendo listas impossíveis e absurdas
Ao velhinho do Natal,
Triste aquelas crianças, que sequer sabem
Que de nada adianta, mil listas escrever, pois o Papai Noel,
Já tem endereço marcado.
Olhando o céu, recordo vivamente,
Que em uma noite de dezembro
Uma estrela cruzou os céus de Belém,
 Belém de Judá,
No tempo do rei Herodes
A estrela riscou o firmamento
Parou em frente a uma manjedoura
Onde o Messias nascia,
Era o rei Jesus, que ali dormia,
Do Oriente vieram três reis magos,
Melquior, Baltasar e Gaspar, eram magos, pois conheciam as estrelas,
E uma estrela, a mais bela lhes mostrava
Onde nasceria o menino Jesus, o Messias
Deram-lhe presentes, incenso, mirra e ouro.
Ouro para o rei dos judeus
Incenso pela sua espiritualidade
Mirra, pela imortalidade.
A festa acontecia junto aos animaizinhos,
Festejavam a chegada do Mestre Jesus,
E de maneira diferente acontecia
Nas mansões, regalias, grandes presentes
Sequer sabem o porquê do banquete,mas
Ainda há esperança
De que o Papai Noel, não seja a razão da festa
De que um dia, o Natal seja de verdade
E celebrará apenas a data
Em que Maria trouxe ao mundo


O Salvador, Cristo Jesus!



O Blog Naco de Prosa deseja a todos os amigos deste espaço literário, um feliz e Santo Natal!

3 de dez de 2017

Sejamos o milagre


Costumo dizer que nunca um filme é 100% perdido, mesmo aqueles que não caem em nosso gosto artístico por completo. Sempre há possibilidade de aprendermos um pouco mais com as reflexões, e com a possibilidade de acontecer a catarse, em nossa vida. No filme “Todo Poderoso”, o personagem de Jim Carrey, Bruce, é um jornalista, tem um bom emprego na TV, e uma bela namorada. Num acesso de fúria ele começa a xingar e questionar Deus no seu modo de fazer tudo funcionar, o que faz com que ele próprio (Morgan Freeman) resolva descer à Terra como um homem comum, e lhe entregar o poder de comandar o planeta, da forma como desejar durante um dia. É quando Bruce percebe o quão difícil é ser Deus e tomar conta de tudo o que ocorre no planeta. Bruce questiona Deus, e lhe pede provas de Sua existência, e ele é atendido. Mesmo com tantos sinais, Deus se fez presente. A nossa vida é assim, Deus nos dá sinais o tempo todo, sejam eles visíveis ou não.  Um dos momentos que me fez refletir, foi um diálogo simples e sincero entre os personagens. Confesso que me vi ali, por alguns momentos. Passamos a vida tentando agradar a terceiros, e nos esquecemos de nós mesmos, do que nós realmente queremos, do que nos faz feliz. Anulamos nossas vontades e sonhos, e quando nos vemos sem esperanças ou anseios, recorremos a forças espirituais, exigindo que tudo se resolva em segundos, e que haja um milagre. Nas palavras do padre Fábio de Melo, “continuo amando e acreditando em Deus, mesmo quando os “milagres” que imploro não acontecem, pois, os milagres que imploro e os pedidos que faço se baseiam em minha vontade e Deus não está aqui para me dar o que desejo. Deus está aqui para me dar o que preciso.” E até este momento, não conseguimos perceber o quanto somos capazes, que dentro de nós há uma força que espera para sair e nos libertar, nos revelar o dom e o poder que possuímos. Todos temos esta força, ela é nata. E quase sempre nos esquecemos, seja por cansaço seja por comodismo.
No filme, a espera é por um milagre, mas às vezes, nem sabemos o que é um milagre ou nem sabemos o que queremos. Denominamos algo corriqueiro, um simples acontecimento como um verdadeiro milagre, porém a diferença é grande, como Morgan Freeman falou no filme, sobre a distribuição de sopa, a qual não foi um milagre, e nunca será, porém, uma mãe solteira que trabalha em dois turnos, e ainda encontra tempo para levar o filho ao jogo de futebol, é um milagre.
Um pai que mantém sua família com um salário, é um milagre.
Um adolescente que diz “Não” às drogas e sim, à Educação, é um milagre. E assim há muitos exemplos que são transformadores.
Não vamos esperar por um milagre.

Sejamos o milagre!
Foto: Google

14 de nov de 2017

O valor das pessoas

Nessas andanças pela vida, ouvimos, lemos e falamos sobre muitas coisas... Após o lançamento de um livro, cujo título mexeu  com minha cabeça, fiquei a pensar no que a autora comentou. O livro aborda as condições do preso no sistema carcerário, e vai além do que as lentes nos mostram, nas telinhas ou telonas. E o que mais me chamou a atenção foi a abordagem feita sobre o lado humano, esquecido e trancafiado, daquela criatura.
Indifere aqui, o motivo do encarceramento, mas vamos pensar a respeito de quando ele lá dentro está, na verdade, vamos mais além, nós que gozamos ainda da liberdade, quanto valemos?
Qual o valor que temos em nosso trabalho, qual o valor que temos com nossos amigos ou familiares?
Até quando somos úteis e interessantes ao próximo?
Trabalhamos para auxiliar no crescimento da nossa cidade, do nosso país, e quando nos aposentamos somos esquecidos, e pela visão do Estado, pouco valemos e muito pesamos no orçamento.
Segundo, Albert Einsten:
“A maior missão do Estado é, para mim, a de proteger o indivíduo e lhe oferecer a oportunidade de manifestar a sua personalidade criadora”.
No âmbito pessoal, quando riquezas temos quantos “amigos” nos visitam, procuram-nos e querem estar perto usufruindo do que nosso dinheiro traz, porém quando algo nos acontece e, de repente, perdemos tudo o que tínhamos? Quantos amigos nos restam? Muitas vezes mal dá para encher uma mão.
Quando fraco estamos, e erros cometemos, às vezes erros pequenos, bobagens, por assim dizer, somos açoitados e cada chicotada faz esquecer as coisas boas que fizemos a outrem.
Penso que não apenas o preso sofre o descaso e desdém do sistema, é uma cultura que atinge a todos os cidadãos de bem, e os que deslizes cometeram e estão presos.
Muitas vezes me perguntei quanto valho, até onde posso confiar e acreditar que estou cercada por pessoas que me querem bem? Não tenho grandes posses materiais, mas nos dias atuais, infelizmente, o pouco que temos já é invejado e desejado por pessoas de má fé.
A questão toda é pensar: para quem realmente somos valiosos, e nós sabemos a resposta, em nosso íntimo todos sabemos, mas muitas vezes nos deixamos iludir e acreditamos que todos os cinco mil amigos do facebook nos amam de verdade. Acredito que devemos procurar saber o nosso valor perante Deus e a sociedade, pois ainda estamos em processo de transformação, de evolução. Exemplo a ser citado, a imagem em bronze, de uma escultura da norte - americana Bobbie Carlyl, a qual nos mostra um homem esculpindo-se, uma metáfora que revela que não estamos totalmente prontos, apenas parcialmente, e neste processo de melhorarmos como pessoas, podemos avaliar o nosso valor a cada dia para a família, para a sociedade, para os nossos amigos e para o Estado.
A indagação, talvez mais importante :


-Eu ainda valho algo para mim?

29 de out de 2017

Lembranças...

Dias atrás, uma velha amiga me convidou para ajudá-la a comprar sapatos, adoro isso, ficamos por longo tempo discutindo sobre modelos, preços e onde iríamos comprar. A lista de lojas que vendem calçados é longa, pois juntamos as lojas das duas cidades, o que para nós não altera em nada, pois elas são cidades irmãs.
Percebi, que minha mente estava sendo invadida por lembranças, memórias de minha infância, quando eu ia com minha mãe fazer compras.
Tenho saudades de tantas coisas, saudade do que ficou de bom em minha memória. Será que faz bem sentir saudades? Penso que sim, pois nos leva a lembranças e momentos que foram bons.
Alguém já dizia, “Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações.”
 E aí, perguntei para a minha amiga:
-Lembra da Casa Damasco?
Ela ficou um tempo pensando e me respondeu:
-Não lembro, pode me contar?
E minha mente voou e foi buscar belas lembranças. Em Porto União, ao lado de onde era o Hospital Nazaré Farah, hoje há um estacionamento, ficava a famosa Casa Damasco, lembro de ir com minha mãe, comprar sapatos, naquela época, só ganhávamos calçados novos no Natal. Minha memória olfativa entrou em cena, e minhas recordações da infância me fizeram retornar ao local da loja de sapatos, ao lado de minha mãe, o cheiro do couro, está vivo em mim, e é bom, pois a emanação da fragrância do couro, trouxe as reminiscências do tempo em que tudo era bom, o chão era de madeira, e na porta um grande degrau de madeira também. Era bom olhar as caixas nas quais vinham os sapatos, uma marca que consigo lembrar com nitidez, porque minha mãe a tudo respondia, talvez pela associação que ela fazia, a marca era Navio, na frente da loja havia uma vitrine pequena, e para protegê-la uma grade de ferro, mas na minha lembrança ainda é como uma cerquinha, muito linda. Ah, e naquela época, já existia o famoso caderninho para marcar e pagar depois, mas esse era um caderno grande, comprido, anotava todas as compras do freguês, penso que havia muita confiança para vender fiado, porque atualmente com tantos cuidados e facilidades não se consegue cobrar de todos.
Também havia outra loja, se minha memória não me engana, poderia afirmar que havia passagem de uma para a outra loja, ela ficava onde hoje é o Lord Cabeleireiro, se fosse hoje, seria chamada de Loja de Departamento, que  é um tipo de comércio que apresenta nos seus locais de venda uma larga variedade de produtos eletrônicos de grande consumo, tais como vestuário, mobiliário, decoração, produtos cosméticos, brinquedos, tecidos, linhas, agulhas, fios, roupas, que fazia parte da mesma loja, mas com sua diversidade de produtos.
A dona Nazaré, carinhosamente, chamada de dona Naza, estava sempre a postos, de avental, quem não lembra dela? Vinha sorridente atender, e ninguém saia sem levar alguma coisa, e não havia como sair sem nada, sendo tão bem recebido com um sorriso e acolhimento gostoso. Seu Miguel Farah é claro, sempre junto.
Falando em seu Miguel, ele começou consertando sapatos, época em que a maioria das pessoas consertava tudo, porque hoje até os calçados são descartáveis. Como era um homem vanguardista tinha suas habilidades, e então começou a confeccionar os calçados, ele cortava usando o molde e dona Naza os costurava, trabalho artesanal, porém árduo, mas feito com muito amor.
Então de consertos de sapato passou a confecção. Houve uma grande feira de calçados, em 1928,”Exposição Agroindustrial”, na qual seu Miguel participou com sua coleção, e o resultado foi vitória para a sua produção seguida de reconhecimento com um diploma de loja industrial. Quem ouviu o ditado popular: “Deus ajuda quem cedo madruga?”
Com certeza, porque madrugando há mais tempo para se organizar no trabalho, para aumentar sua produtividade, e assim era com seu Miguel e dona Nazaré, cedinho já estavam no batente.
Roberto Fraga dizia que:
“Viajar no tempo é reviver reminiscências que ficaram no pensamento. Um momento único em que damos asas a imaginação ao percorremos um distante evento no exato momento de sua criação. O prazer inolvidável que nos acompanhará pela vida afora e proporcionará o prazer de um instante de felicidade que permanecerá pela eternidade.”
Ah! Quanta saudade, e ela é isto mesmo, lembrar e relembrar dos bons tempos por nós vividos, vale a pena ter as nossas memórias rebuscadas, às vezes, pois nos levam a sentir o imenso prazer novamente.

Voltei ao presente e fomos comprar um sapato.
Foto: Google

10 de out de 2017

Criticar ou não criticar?

Às vezes o que precisamos é apenas um filme que nos traga algo de bom. E esses dias eu estava a procura de algo bom, delicado e encontrei Florence, quem é essa mulher? A película, dirigida por Stephen Frears, traz Meryl Streep no papel de uma socialite nova-iorquina, Florence Foster Jenkins. Seu sonho é ser cantora, a questão é que ela não tem dom para a música, e suas desafinações são constantes. Mas ela não se deixa abalar, mesmo porque seu devotado marido, St. Clair Bayfield, vivido pelo ator Hugh Grant, passa a maior parte do tempo “convencendo” a imprensa de que sua esposa é talentosa, e seu convencimento monetário traz sempre boas críticas nas linhas dos principais jornais, exceto um. E é justo este que duramente penaliza Florence, com palavras duras e negativas, e a aspirante à cantora, cuja saúde já se encontra debilitada, não resiste. O filme é delicado, e é baseado na vida real de Florence Foster. Nele, Meryl Streep teve que desaprender a cantar e deu vida a uma simpática e dedicada mulher a qual pensa que é uma cantora de Ópera. Após o término do filme parei para refletir: será que temos direito à crítica? Quanto podemos ser ácidos com nossas canetas e teclados e destruir os sonhos de outra pessoa? Quantas e quantas histórias foram minadas devido a críticas duras? Quantas e quantas pessoas deixaram de lado seus objetivos, e hoje, levam uma vida medíocre pelo simples fato de que no momento a crítica feita foi severa demais? Fica claro que o que mantém Florence viva é a paixão pela música e, quantas paixões você deixou de lado por medo? Ou por apontamentos de dedos? Quanto de você já morreu por não poder ser você mesmo? Por acreditar que você não era bom o suficiente porque outra pessoa falou? Florence lotou um dos mais cobiçados espaços de Nova Iorque, o Carnegie Hall. Em um concerto, no qual parte da plateia a aplaudiu porque ela a fez gargalhar, e outra parte a ovacionou por pura empatia. E essa era Florence: uma pessoa que transbordava carisma e alegria, que renascia a cada vez que pisava em um palco. Ao término do show, as luzes se apagavam, as pessoas iam para suas casas, a cortina se fechava e a vida continuava, assim que deveria ser sempre. Cada um vivendo seu sonho, cada um vivendo sua vida. Acredito que determinadas críticas auxiliem para as melhorias de obras musicais, peças teatrais ou pinturas. Mas, será que elas são sempre necessárias da forma ácida como alguns as escrevem? Florence viveu intensamente seu sonho, que foi interrompido por letras afiadas em um jornal impresso. No fundo, ela só queria cantar. Há quem ache lindo, um quadrado em uma tela branca, outros percebam apenas um quadrado em uma tela branca. Quem está certo?
“As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.” (Rainer Maria Rilke)
Imagens: Google



29 de set de 2017

Ser cidadão e ter cidadania

Estávamos caminhando pelo parque da cidade, em companhia de duas pessoas, uma amiga de longa data e outra, que era amiga da amiga. Fomos conhecer o lugar, pois havíamos feito uma pequena viagem com esta intenção. Ao passar por uma árvore, percebi muitas latinhas e copos descartáveis jogados sob a belíssima árvore, e nada daquele lixo combinava com a paisagem, peguei uma sacolinha que estava no chão e coloquei o lixo dentro, e comecei a olhar em volta para ver onde estava o balde ou cesto para depositar o que eu estava segurando, e não longe dali eu o avistei, depositei  a sacola cheia e voltei. Quando me aproximei das duas, a amiga da minha amiga estava de olhos espantados comigo, e disse:
-Você é ativista?
Fiquei observando-a e respondi:
-Não, sou cidadã.
E ela continuou:
-Mas você nem mora aqui, para que se preocupar com a limpeza de outra cidade?
Eu estava pronta para ser um pouco grosseira, mas pensei melhor e respondi:
-Temos que cuidar de tudo e de todos, pois o que afeta uma pessoa afeta a todos nós, mesmo que indiretamente, e se temos caráter, somos inteligentes, é porque fomos educados, e a Educação faz parte de tudo isto.
-Mesmo não morando aqui, lembro que Sócrates já dizia, que não era ateniense nem grego, mas um cidadão do mundo. Eu me sinto um pouco assim, por isso, penso que tenho que cuidar dos lugares por onde passo. Senti-me na obrigação de continuar a minha explicação. Entendo que ser cidadão é ser gente, é respeitar o próximo como a si mesmo.
Ser cidadão não é apenas ter direitos, pois sabemos que o cidadão tem direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante à lei: ter direitos civis, também participar dos destinos da sociedade, possuir direitos políticos.
Ser cidadão é participar como agente atuante da sociedade, e não se limita em apenas cobrar pelo retorno dos altos impostos cobrados, mas com certeza, é respeitar ao próximo independente de sua cor, religião, sexo, pois ele é seu próximo e tem os mesmos direitos e deveres que você. O respeito vem de situações muito simples, como: respeitar as filas, e como o que aconteceu há pouco,não jogar lixo na rua, nas calçadas, nos parques.
Precisamos fazer sempre o melhor que existe em nós, lembrei de Martin Luther King quando falou:”Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor, mas lutamos para que o melhor fosse feito.”E, se isto acontecer já podemos nos sentir como bons cidadãos.
Ser cidadão é ser o criador de seu próprio mundo, seu ser, sua identidade, é ser agente do processo histórico  Ter cidadania é ter consciência crítica, é saber refletir sobre tudo.


“É o homem constituir-se como homem entre outros homens.”

Somos Intolerantes

Ontem em uma roda de conversa boa, o assunto foi sobre sentimentos, alguns ruins, que nos causam mal, e o maior deles, o ódio. E ac...